Série: Teologia e Vida (4)

“Um Morreu por Todos”: Jesus, O Mediador entre Deus e os homens 


“A teologia como estudo da Palavra, não pode ser algo simplesmente teórico, menos ainda especulativo e abstrato; antes tem uma relação direta com a vida daqueles que a estudam; ela é, portanto, uma ciência teórica e prática.” (Hermisten Maia).


Teologia e vida estão inerente e indissoluvelmente unidas. Não há teologia, biblicamente falando, sem conexão com a piedade (obediência), assim como não há vida cristã, comunhão com Deus, sem um coração alicerçado na Escritura e no conhecimento da verdade (teologia). Esta série de mensagens tem o propósito de fomentar esta união vital entre vida e teologia, aplicando alguns pontos centrais doutrinários à nossa fé prática.

Hoje trazemos à lume uma das questões mais lindas de toda Escritura, e por que não dizer, o coração de toda revelação: Cristo Jesus, o Mediador da Nova Aliança. Pensemos um ponto sobre isso.

Em primeiro lugar, lembremos que Deus fez uma aliança com nossos primeiros pais, tendo Adão como o mediador desta primeira aliança (Gn 1-2). Aliança que foi quebrada com o pecado de Adão (Gn 3; Rm 3.23; 6.23). Devido à queda, o pacto de vida foi quebrado, trazendo a maldição sobre toda a humanidade, sobre toda criação (Gn 3). Como o foco aqui não é tratar sobre a queda e seus desdobramentos, não me estenderei sobre o assunto. O ponto é mostrar que, apesar do pecado, da queda e da declaração de condenação e morte, Deus, unilateralmente e com toda a sua soberania e graça, estabelece uma nova aliança. A morte não foi vitoriosa com a queda de Adão. Há promessas de vida. A graça divina prevaleceu.

Em Gn 3.15 (NVI) lemos: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” Este texto é central para compreendermos a instituição de uma aliança renovada e a introdução de um novo mediador. Há promessas de condenação à serpente e ao seu império e promessas de vida com a vitória do descendente de Eva. O descendente citado é fundamental para a promulgação de uma nova aliança. Um filho prometido de Eva é quem esmagará a cabeça da serpente e trará vida ao povo amado do Senhor. Ele é o mediador da nova aliança. Este novo elemento introduzido na narrativa de Gênesis por Moisés é a chave que amarra toda a revelação bíblica: o reino de Deus, o pacto (aliança de vida) e o Mediador (o Messias prometido).

Que fique claro, todo o Antigo Testamento apontará para o Messias, um filho que nascerá entre o povo de Israel, que trará vida, comunhão e vitória sobre a morte: Is 9.7 / Mt 1.1,6-17; Mq 5.2 / Mt 2.1; Os 11.1 / Mt 2.15; Is 7.14; Lc 24.44. Jesus Cristo é o mediador desta nova aliança: Hb 9.15. Ele é o filho (descendente) de Eva, o prometido em Gn 3.15. Assim, toda a aliança do Rei está pautada neste mediador. É apenas por causa dele que hoje podemos receber vida e ter comunhão com Deus.

O pecado e queda de Adão trouxe a morte sobre toda a humanidade (Rm 5.12-21). Esta morte está sobre todos, inclusive sobre aqueles que Deus escolheu para serem seus filhos, a quem ele, soberanamente, resolveu dar vida (Ef 1.3-6). Cristo é o escolhido de Deus Pai para expiar (purificar o erro, resgatar da morte), fazendo a propiciação (satisfação legal diante de Deus) pelos nossos pecados: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.” (1Jo 2.2 NVI). Cristo morreu na cruz por aqueles que Deus escolheu entre todo o mundo. Ele, o Messias, é o mediador entre Deus e os homens, por meio de quem, a Igreja é resgatada e vivificada do seu pecado. Cristo Jesus é o nosso redentor (resgatador): “Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus.” (Ef 1.7 NVI).

Veja Hb 9.13-15 (NVI): “Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança.” 

Cristo é o único mediador: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo.” (1Tm 2.5,6 NVI; Cf. Hb 8.6).

Hb 7.24-26 (NVI) nos diz: “mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus.” (Veja também: Hb 9.12,24).

Assim, a expiação de Cristo nos traz a comunhão com o nosso Criador e Salvador: “Onde essas coisas foram perdoadas, não há mais necessidade de sacrifício pelo pecado.” (Hb 10.18 NVI). E, “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados.” (1Pe 2.24 NVI). A salvação é somente pela graça, através do sacrifício meritório e substitutivo de Cristo Jesus. (Ef 2.1-9). Este sacrifício foi realizado uma só vez, de modo perfeito, não sendo necessário a sua repetição: “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo,  assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” (Hb 9.27,28 NVI).

Esta é uma doutrina maravilhosa! Graças a Deus por isso, pela salvação eterna que temos em Cristo Jesus. Estas verdades não podem ficar apenas no campo teórico, temos que conectá-las à nossa percepção da vida, à nossa ética, ao nosso testemunho. Assim, algumas implicações nos ajudam nesta tarefa:

a) Todos os nossos pecados já foram perdoados em Cristo Jesus: Sl 32; 51; 1Jo 2.6-10. Nada mais nos condena diante do Senhor Deus: Rm 8.1. Somos mais que vencedores por causa da vitória do nosso Redentor: Rm 8.36ss. Isso nos traz paz! (Rm 5.1).

b) Cristo, como nosso mediador, continua fazendo intercessão por nós: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno.” (Jo 17.15 NVI). Somos dependentes dele, e sempre seremos. A salvação não se dá por nós mesmos. Não temos mérito. Não somos perfeitos e nem justos. Somos justificados nele, por causa dele. Não somos autossuficientes. Se não fosse a mediação e intercessão de Cristo por nós estaríamos todos perdidos, segundo a justiça santa de Deus. Toda glória a Cristo!

c) A redenção e reconciliação que temos em Cristo nos responsabilizam diante dele. Somos agentes desta reconciliação hoje: “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado a Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.” (2Co 5.14-21 NVI).

Concluímos: 

“Dessa maneira, Jesus Cristo foi constituído o único Mediador, por cuja intercessão o Pai se torna propício e acessível a nós. Se bem que admitimos o fato de que os santos fazem as suas intercessões, pelas quais encomendam mutuamente a Deus a saúde uns dos outros, como Paulo menciona. Todavia, solicitamos que tais intercessões sejam feitas de maneira que sempre dependam da singular e única intercessão de Jesus Cristo. Assim, as nossas intercessões devem ser como que miniaturas da de Cristo. Porque, como procedem do puro amor pelo qual somos unidos como membros, também se reportam à unidade da nossa Cabeça. Pois, visto que são feitos em nome de Cristo, com isso não testificam que ninguém pode ser socorrido e ajudado por orações de outros, a não ser que Jesus Cristo seja o Intercessor? E assim como Jesus Cristo, por Sua intercessão, não impede que nos ajudemos na igreja pelas orações feitas uns pelos outros, assim também é necessário que isto fique resolvido – que todas as intercessões da igreja devem ser dirigidas e jungidas unicamente à de Cristo.” (João Calvino).

A teologia impulsiona a prática. As verdades de Deus nos motivam ao testemunho e amor. A piedade revela um coração crente e grato pela maravilhosa revelação de Deus em Cristo. Que a mensagem do Mediador Cristo Jesus nos conduza neste rumo.

 O grupo Vineyard Brasil gravou uma canção linda que exalta esta verdade bíblica da redenção que temos em Cristo. A atitude do nosso coração em resposta à isso proposta neste cântico é quebrantamento.

 

Quebrantado

Eu olho para a cruz

E para a cruz eu vou

Do seu sofrer participar

Da sua obra vou cantar

 

Meu salvador

Na cruz mostrou

O amor do pai

O justo Deus

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

 

Imerecida vida, de graça recebi

Por sua cruz da morte me livrou

Trouxe-me a vida, eu estava condenado

Mas agora pela cruz eu fui reconciliado

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

 

Impressionante é o seu amor

Me redimiu e me mostrou

O quanto é fiel

Impressionante é o seu amor

Me redimiu e me mostrou

O quanto é fiel

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

Rev. Marlon de Oliveira


Série: Teologia e Vida (3)

 "Justo és, Senhor": A justiça santa de Deus e o arrependimento

 

“A teologia mata o nosso amor, mata a nossa vontade de buscar a Deus!” Esta frase foi me proferida por alguém um tempo atrás. Na verdade, esta pessoa não entendeu nada do que é teologia, e a sua necessária conexão com a piedade. Teologia e vida, teologia e piedade, não são auto-excludentes. O propósito desta série é demonstrar isso, aplicando alguns pontos fundamentais da teologia cristã (reformada) à vida diária do crente. As verdades referentes a Deus e à sua vontade devem ser o motor que move todo nosso coração e mente a Ele mesmo, ao próximo e a uma vida plena de verdade e amor.

Hoje, trataremos preliminarmente de um dos pontos mais complicados da teologia. Falaremos da justiça santa de Deus. Afirma-se que Deus é amor. Isso é bíblico. O problema começa a existir quando se prega que o amor de Deus exclui ou anula toda a sua justiça. Isso já não é bíblico. Os atributos de Deus são perfeitos, todos eles revelam a completude do Ser divino. Deus é o que é! Ele se revela plenamente amoroso e plenamente santo e justo. Vamos pensar nisso um pouco.

a) Primeiramente, tragamos à mente a verdade bíblica que Deus é justo! As Escrituras afirmam: “Justo és, Senhor, e retas são as tuas ordenanças. Ordenaste os teus testemunhos com justiça; dignos são de inteira confiança!” (Sl 119:137 NVI). E, “Então ouvi o anjo que tem autoridade sobre as águas dizer: ‘Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste estas coisas.’” (Ap 16:5 NVI). (Veja também: Ed 9:15; Ne 9:8; 145:17; Jr 12:1; Lm 1:18; Dn 9:14; Jo 17:25; 1Jo 2:29; 3:7).

A justiça do Deus Trino está conectada à sua santidade. Deus é justo porque é santo! A justiça é a manifestação da sua santidade no trato com os obedientes e desobedientes. Isto é, a santidade de Deus requer a plena obediência à sua vontade. Quando se obedece ou não, sua vontade santa a justiça é desempenhada. A vontade de Deus é santa, sua lei é perfeita: Dt 4:8; Sl 19:7. Há duas questões fundamentais que precisam ser tratadas aqui. A justiça retributiva de Deus é aplicada necessariamente por causa do pecado. Aos eleitos de Deus esta justiça – a ira divina e sua justa condenação – é imputada em Cristo Jesus, o Messias, o Mediador da nova aliança (aliança graciosa). Deixe-me explicar melhor.

b) Todo pecado deve ser punido porque todo pecado é uma ofensa à santidade de Deus. Veja: “Pois todos me pertencem. Tanto o pai como o filho me pertencem. Aquele que pecar é que morrerá. (...) Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada.” (Ez 18:4,20 NVI). E, “Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6:23 NVI). A Escritura atesta claramente que o pecado é uma ofensa a Deus: “Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me.” (Sl 51:4 NVI). Assim, todo pecado exige a justa reprovação e necessária condenação divinas. A justiça de Deus é modulada pela sua santidade! Deus é o juiz: “Os justos se alegrarão quando forem vingados, quando banharem seus pés no sangue dos ímpios. Então os homens comentarão: ‘De fato os justos têm a sua recompensa; com certeza há um Deus que faz justiça na terra’.” (Sl 58:10,11).

c) Aos eleitos de Deus, a ira e condenação pelo pecado são imputados em Cristo. O Filho unigênito de Deus Pai é quem recebe a ira pelos nossos pecados (Hb 7:22; Cl 2:14; Is 56:5) e nos salva desta ira: “Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele! Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem recebemos agora a reconciliação.” (Rm 5:9-11 NVI). (Veja também: 1Ts 1:10; Sl 103:10). Cristo é a razão pela qual os eleitos não experimentam mais a ira de Deus e nem experimentarão também o terror do inferno! (Veja: 1Tm 1:14-15; 2:5-6; Hb 12:2).

d) Porém, os ímpios serão condenados com justiça pelos seus pecados. Repare, Deus se obriga a punir os pecados dos desobedientes por causa da sua perfeita santidade. Esta condenação é justa, é a manifestação da justiça divina! A ira condenatória de Deus é derramada sobre aqueles que se mantiveram rebeldes diante do Senhor. Veja: “Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.” (Rm 1:28-32 NVI). E: “Então os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os homens, quer escravos, quer livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: ‘Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro! Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?’” (Ap 6:15-17 NVI). Temos nestes versos a revelação do Dia do Senhor, Dia Terrível, quando a condenação será aplicada com justiça sobre os ímpios. (Veja: Rm 12:19). O Filho de Deus é o santo juiz que aplicará a ira de Deus e a condenação com equidade sobre os filhos da desobediência: At 17:31; Jo 5:22-23,26-27; Mt 28:18; Ap 6:10,16-17.

Esta doutrina da justiça santa de Deus precisa ser estudada com muito cuidado e submissão à revelação do Senhor. Nossa fé deve ser moldada pela verdade das Escrituras, e não por "achismos" ou ideologia "humanistas". Não é o presente século que deve formar nossa mentalidade. O senso de justiça de Deus não deve ser medido pelo nosso senso de justiça. Somos criaturas imperfeitas, Ele é Deus! Campos (1999, p. 348-350) indica algumas implicações desta doutrina bíblica:

“1. Todos os homens precisam se arrepender de seus pecados e confiar em Cristo, a fim de que escapem da manifestação da ira divina.

2. A doutrina da ira de Deus deveria motivar os cristãos a testificar de Jesus Cristo e chamar os pecadores ao arrependimento.

3. A doutrina da ira divina é um incentivo para você viver uma vida de retidão.

4. A doutrina da ira divina deveria fazer você viver desconfortavelmente com o pecado.

5. Leve a sério a doutrina da ira divina.”

Reiteramos:

1) Devemos adorar a Deus primeiramente pelo o que Ele é! Que os nossos corações se enchem de louvor ao Senhor porque Ele é o Deus de toda justiça! Ele é o santo juiz, perfeito e maravilhoso. Assim a Escritura o revela, e assim devemos crer. Este atributo divino nos conduz à reflexão e reconhecimento da grandeza do Ser de Deus. Ele é um Deus tremendo! Temor e reverência precisam estar presentes no coração de todos que o conhecem verdadeiramente. (Veja: Ap 15:3-4; Hb 12:28-29).

2) Com relação aos eleitos, sua ira condenatória já foi colocada sob Cristo. Esta verdade escriturística deve levar a Igreja do Senhor à humildade, quebrantamento e santidade (retidão): 2Co 5:3,9; 1Ts 1:7; Hb 12:14; 1Pe 1:14-16. Devemos nos afastar cada vez mais do pecado, de tudo aquilo que ofende o Senhor Deus. Vivamos para agradecer ao Pai do Céu pela salvação maravilhosa em Jesus, nosso Salvador. Confessemos nossos pecados com confiança no perdão já obtido na cruz e na santificação operada mediante os meios de graça em nosso coração pelo Espírito Santo: 1Jo 1:7-2:2. A salvação não é mérito da Igreja, portanto, a humildade é sempre indicada: Lc 17:10; 1Co 4:7; Tg 1:17; 1Cr 29:14; Tt 3:4-7.

3) A mensagem de evangelização e alerta a todo mundo é urgente. O Dia do Senhor, quando Cristo voltar, é iminente. Veja: “‘O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão, dia de toques de trombeta e gritos de guerra contra as cidades fortificadas e contra as torres elevadas. Trarei aflição aos homens; andarão como se fossem cegos, porque pecaram contra o Senhor. O sangue deles será derramado como poeira, e suas entranhas como lixo. Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor. No fogo do seu zelo o mundo inteiro será consumido, pois ele dará fim repentino a todos os que vivem na terra.’”. (Sf 1:14-18 NVI). E: “Busquem o Senhor, todos vocês humildes do país, vocês que fazem o que ele ordena. Busquem a justiça, busquem a humildade; talvez vocês tenham abrigo no dia da ira do Senhor.” (Sf 2:3 NVI).

O arrependimento é um dos conteúdos centrais da mensagem evangelística: “No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (At 17:30,31 NVI). (Veja também: At 2:38-39; 3:19-20).

Os eleitos já foram salvos em Cristo desta ira divina. A ira que seria dos eleitos já foi aplicada no Cordeiro de Deus, na cruz do Calvário. Mas, aos que se mantiverem rebeldes e desobedientes, esta ira será derramada com equidade. Deus sempre será santo, justo e bom! Que esta doutrina bíblica nos leve a uma vida de fé mais madura diante do Senhor. Que os nossos corações sejam quebrantados diante dele. Que toda a nossa gratidão ao nosso Salvador se manifeste numa vida de mais santidade. Que nossos lábios se abram com amor e senso de urgência para avisar a todos da ira vindoura e amor de Deus em Cristo Jesus.

Um hino intitulado “Perdão” traz uma mensagem lindíssima de um crente que compreendeu a gravidade do seu pecado, a ira justa de Deus, o amor de Deus em Cristo Jesus, a necessidade de arrependimento, e uma vida de esperança e gratidão ao nosso Salvador. Que a mensagem deste hino nos conduza nestes trilhos.

Perdão

Acharei mercê em Deus?

Pode ainda perdoar?

Esquecer pecados meus?

Minha vida transformar?

 

Eu que sempre resisti,

Sua ira suscitei;

Seus apelos não ouvi,

Transgredi a sua lei!

 

Arrependo-me, Senhor,

Tenho ao mal grande aversão!

Sinto n'alma intenso horror;

Posso ter o teu perdão?

 

Mansamente, diz Jesus:

“Quero a paz te conceder!

A salvar-te fui à cruz,

Salvo estás, se podes crer!”

 

Sim, eu creio e salvo estou!

Reina gozo lá no céu,

Pois a nova já chegou,

De mais um que nele creu. 

(Hino 216, Hinário Novo Cântico. Autor: Charles Wesley / Trad.: Justus Henry Nelson, 1894)  


Rev. Marlon de Oliveira


Série: Teologia e Vida (2)

 Meu Deus, que antigo amor! Apreciando o grande amor de Deus

 

Conhecemos a Deus à medida que ele mesmo se revelou a nós. A Escritura Sagrada é a revelação especial do Senhor, e as obras da criação sua revelação geral. É na revelação especial que conhecemos mais propriamente o Deus Salvador. A Palavra revela Deus a partir dos seus próprios atributos (qualidades, virtudes). A essência de Deus é caracterizada pelos atributos divinos que lhe são destacados. Atributos como infinidade, imutabilidade, eternidade, atributos morais, intelectuais e de soberania, estes e outros, revelam a essência de Deus. Hoje vamos pensar em um atributo distintivo do Senhor, seu terno amor pelo seu povo.

O propósito desta série é apresentar pontos fundamentais de quem é Deus e da doutrina bíblica conectados à vida prática, demonstrar como a teologia influencia (e deve influenciar!) o dia-a-dia e, implicar questões bíblicas fundamentais que norteiam a vida dos crentes. Espero que estes posts te levem mais próximo à Bíblia, de Deus, e de uma vida marcada pelo conhecimento dele, com gratidão, humildade e adoração ao Senhor.

Trataremos hoje do amor de Deus. A teologia ensina, à luz das Escrituras, que amor é um modo de Deus demonstrar sua bondade. Deus é sempre e perfeitamente bom! Ele não apenas demonstra bondade, mas, é bom! A bondade faz parte de sua essência, demonstrada pela sua paciência, graça, misericórdia e amor. O amor de Deus é o que o leva a redimir o seu povo escolhido. Deixe-me explicar.

O pecado dos nossos primeiros pais trouxe a corrupção e condenação sobre toda a humanidade. O que todos merecem, desta maneira, é a reprovação de Deus, separação da comunhão com ele, e, consequentemente, morte (física, espiritual e eterna). Mas, Deus “tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16 NVI) Este amor pleno e incondicional por alguns indivíduos o leva a derramar sua salvação a estes. Ele os salva desta condenação, restaura a comunhão consigo, e promete a vida, vida plena, agora e eternamente. Todas estas dádivas são mediante o sacrifício do filho único de Deus, que se entregou por amor a estes eleitos do seu Pai. Veja o que diz Romanos 5:8 (NVI): “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” E, Gálatas 2:20 (NVI): “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”

Este amor é especial, sacrificial, é um amor que se dá pela salvação dos seus filhos eleitos. Deus faz algo por eles, por amor. Não havia e nem há nada de bom nestes escolhidos que movesse o coração de Deus. O amor divino é incondicional, não movido por razões humanas, direcionado a objetos indignos. “Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador.” (Tt 3:4-6 NVI). Este amor é eterno, jamais terá fim. (Jr 31:3). É um amor grande, imenso. “Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou.” (Ef 2:4 NVI). “Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!” (1Jo 3:1a NVI).

Há muitas implicações do amor de Deus ao povo crente. Trago três à nossa reflexão. Vejamos:

a) Deus amou ímpios. “De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!” (Rm 5:6-9 NVI). A Escritura demonstra, como afirmamos acima, que os eleitos de Deus são o objeto indigno do amor divino. Nunca a Bíblia apresenta o povo de Deus como merecedor. Deus amou pecadores, ímpios, inimigos e opositores. Esta verdade deve nos levar à humildade, ao reconhecimento que não somos dignos do amor de Deus. Ele nos amou porque ele quis! Jamais estaremos na posição de merecedores, requerendo algo de Deus. Humildade é a característica que melhor define os filhos amados de Deus. Aliás, quanto mais conhecemos a Deus e a sua Palavra, mais envergonhados de nós mesmos, e do nosso pecado, devemos ficar.

b) Deus jamais deixará de amar. “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: ‘Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro’. Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8:35-39 NVI). Neste texto lindo, o apóstolo Paulo declara que não há nada neste mundo físico e nem no mundo espiritual capaz de nos separar do amor de Deus. Nem nós mesmos. Deus ama o seu povo e o amará por toda a eternidade. Isto nos traz segurança, paz e esperança. Apesar dos nossos pecados, Deus sempre nos amará. Até a disciplina (pelos nossos pecados) é expressão do seu amor. (Hb 12:4-7). O amor de Deus é constante, confiável e abençoador. Deus nunca deixará de nos amar. “O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime!” (Dt 31:8 NVI).

c) Amar é mandamento. “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1Jo 4:7-8 NVI). Somos desafiados a amar o próximo como Deus nos amou. Nas Escrituras, amar é mandamento: “Respondeu Jesus: ‘O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes’.” (Mc 12:29-31 NVI). Não apenas somos os receptores do amor incondicional de Deus, como também, somos emissores deste amor. Amar o próximo é o que marca o coração daquele que foi transformado pelo amor divino. Portanto, amemos sem interesse, ou sob certas condições. O amor que vem de Deus é recebido de graça e doado igualmente de graça. Repito: a marca do povo de Deus é o amor, a Deus e ao próximo.

Neste post tratamos sobre uma das aplicações da bondade de Deus, o seu amor. Vimos que este amor é eterno e perfeito. Ele ama objetos indignos. Este amor o leva a redimir o seu povo escolhido. E mais, toda a providência de Deus é movida pela bondade e amor de Deus. Assim, há muitas implicações deste amor. Que a nossa fé, o nosso viver, sejam impactados, moldados e motivados pelo grande amor de Deus. Encontramos no Hinário Novo Cântico (nº 88) um hino lindíssimo que exalta a Deus por este antigo amor. Que este hino te conduza, pelo Espírito de Deus, à gratidão e exaltação a ele mesmo.

 

Amor perene

Amavas-me, Senhor, ainda cintilante

Não irrompera a luz ao mando Criador!

E nem o ardente sol, rompendo no levante,

Trouxera à terra e ao mar a força fecundante.

Meu Deus, que amor!

Meu Deus, que eterno amor!

 

Amavas-me, Senhor, também quando, imolado,

Por mim sofreu na cruz o meigo Salvador,

O Santo de Israel, o teu Cordeiro amado,

Levando sobre si a culpa do pecado.

Meu Deus, que amor!

Meu Deus, que antigo amor!

 

Amavas-me, Senhor, quando atingiu meu peito

O Espírito de luz, o meu Consolador.

E com tesouros mil, de teu favor perfeito,

Trouxe à minha alma a fé em que hoje me deleito.|

Meu Deus, que amor!

Meu Deus, que antigo amor!

 

E sempre me amarás, porque jamais inferno

Ou mundo poderão ao teu querer se opor,

Ao teu decreto, ó Deus, ao teu decreto eterno,

Ao teu amor, ó Pai, ao teu amor superno.

Meu Deus, que amor!

És sempre e todo amor! Amém.

Rev. Marlon de Oliveira

Série: Teologia e Vida (1)

Sossegai! Deus é Todo-poderoso!


“Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.” Esta é primeira frase do famoso Credo Apostólico, documento de fé que une toda a Cristandade desde o século I da era cristã. É uma declaração de fé quanto à existência e atributos de Deus, o Pai. Deus é Todo-poderoso! Isso deve fazer sentido para todos aqueles que creem em Deus. Este é o propósito desta nova série que iniciamos hoje, conectar as antigas (e atuais!) doutrinas da graça à vida prática. Pensar nas implicações à fé e ao modo de agir e reagir que a teologia produz na vida cristã.

Importante dizer que teologia é o estudo acerca da revelação de Deus. Este estudo não pode ser estéril, teórico e distante da prática. Pelo contrário, o conhecimento acerca de Deus e da sua vontade deve invadir o coração e a mente dos crentes e ser a grande mola propulsora que comanda toda a vida. Piedade é a marca de um coração que se rende aos pés do Senhor, que molda sua vida segundo a vontade santa de Deus. Portanto, teologia é vida também! Impossível ter um relacionamento com Cristo Jesus sem o conhecimento acerca dele (Jo 17:3). Este conhecimento gera piedade, devoção e submissão ao Senhor.

Mas, voltemos ao assunto de hoje. Deus é Todo-poderoso! Isso é um fato! Um dogma! Uma afirmação claramente bíblica. Temos dezenas de textos bíblicos que atestam quanto a isso! Vejamos alguns destes textos:

- Sl 62:11 (NVI): “Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus.” Começo com este verso, onde o salmista declara que o poder pertence a Deus. Deus não apenas tem todo poder, Ele é poderoso! O poder pertence à essência da natureza divina. É um dos seus atributos exclusivos, incomunicáveis aos homens. Toda a criação é limitada e finita. Somos dependentes. Deus é o Criador, Onipotente e autossuficiente!

- Jó 23:13 (NVI): “Mas ele é ele! Quem poderá fazer-lhe oposição? Ele faz o que quer.” A Escritura nos mostra que Deus não apenas é Onipotente, mas executa todas as coisas segundo a sua vontade soberana e perfeita. Ele deseja, decreta e realiza! Esta sequência é apenas didática, para compreendermos, pois, para Deus tudo é simultâneo. Ele age segundo sua vontade! Ele pode tudo o que deseja! Não há impossíveis para Deus. (Veja: Mt 19:26; Sl 115:3; 135:6; Is 46:10; Ef 1:11).

- Dn 4:34-35 (NVI): “Ao fim daquele período, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, e percebi que o meu entendimento tinha voltado. Então louvei o Altíssimo; honrei e glorifiquei aquele que vive para sempre. O seu domínio é um domínio eterno; o seu reino dura de geração em geração. Todos os povos da terra são como nada diante dele. Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão nem de dizer-lhe: ‘O que fizeste?’”. Este é um dos textos mais impressionantes que revela a perfeição e soberania do poder de Deus. O Rei Nabucodonosor chega à conclusão que Deus é o Soberano, o Altíssimo, que o Senhor é maior do que a sua criação, que domina sobre tudo e todos. E declara que o Rei dos reis, o Eterno, é digno de toda glória! Este Deus glorioso age segundo sua Vontade soberana e perfeita! Ninguém é capaz de se opor a poder de Deus!

Pois bem, diante destes textos – muitos outros poderiam ser citados aqui – qual a postura ideal do nosso coração? Pretendo levar você à reflexão prática da nossa devoção a Deus diante da sua Onipotência. Trago algumas implicações:

a) Humildade diante de Deus – A conduta do coração que crê na proposição destes textos é humildade, isto é, reconhecer a grandeza do Deus da Escritura, sua Imensidão, Poder, Soberania e Independência. Ao mesmo tempo, esta compreensão deve nos conduzir ao sentimento de pequenez, limitação e impotência diante dele. Ele é o criador, somos criaturas. Opor-se a Deus nunca é o melhor caminho. Questioná-lo, reprová-lo, também não! Humildade é o reconhecimento que Deus é Superior a nós. Ele é Deus!

b) Dependência total de Deus A humildade necessária diante do Eterno deve nos conduzir naturalmente à rendição a Ele. O pecado nos leva no sentido contrário, à oposição e independência de Deus. Isso não é bom. O crente é aquele que reconhece que depende em tudo da vontade e condução de Deus em sua vida. Como bebês que sossegam nos braços da sua mãe – esta é a característica bíblica de dependência total de Deus: “Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!” (Sl 131:1-3 NVI). Renda-se ao Poder de Deus!

c) Louvor a Deus – Louvar é elogiar e engrandecer a Deus pelas suas qualidades (atributos) e pelas suas obras perfeitas. Isto é, adorar ao Senhor pelo o que ele é e o que faz. Uma vida de louvor a Deus implica em humildade e dependência. O que eu quero dizer, é que louvar a Deus não se limita apenas aos momentos em que cantamos hinos e cânticos no culto a Deus no templo. É mais do que isso. Louvar a Deus envolve o modo como vivo diante dele, como expresso a minha fé e como ajo e reajo no dia-a-dia. A ética deve ser comandada pela teologia. A piedade da vida cristã é determinada pela nossa fé na Escritura. Portanto, uma vida que agrada a Deus é louvor a Ele. Tudo é dele, por ele e por meio dele. O que devemos ao Senhor? Toda a glória exclusiva ao seu Nome: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! ‘Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?’ ‘Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?’ Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Rm 11:33-36). Viver para a glória de Deus, este é o ideal de todo crente! (Veja: Ap 4:11; 5:13; 7:12) Este texto é especial para o nosso ponto aqui: “e cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro: ‘Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos’.” (Ap 15:3,4 NVI)

Desta maneira, crer no Deus Todo-poderoso deve nos conduzir num relacionamento pleno diante dele. Encerro este post com um hino muito bonito intitulado “Sossegai”, referente à passagem bíblica em Mc 4:35-41. Que a nossa alma sossegue diante do soberano e perfeito Poder de Deus em nossa vida:

 

SOSSEGAI 

(M. A. Baker - Wm. E. Entzminger)


Mestre, o mar se revolta

E as ondas nos dão pavor!

O céu se reveste de trevas,

Não temos um Salvador!

Não se te dá que morramos?

Podes assim dormir?

Se a cada momento nos vemos

Já prestes a submergir?

 

“As ondas atendem ao meu mandar:

[Mulheres] Sossegai!

[Homens] Sossegai! Sossegai!

Seja o encapelado mar,

A ira dos homens o gênio do mal;

Tais águas não podem a nau tragar,

Que leva o Senhor, Rei dos céus e mar!

Pois todos ouvem o meu mandar:

Sossegai! Sossegai!

Convosco estou para vos salvar;

Sossegai!”

 

Mestre, tão grande tristeza

Me quer hoje consumir!

Na dor que perturba minha alma

Te imploro: “Vem me acudir!”

De ondas do mal que me encobrem,

Quem me virá valer?

Não tardes, não tardes, bom Mestre,

Estou quase a perecer!

 

Mestre chegou a bonança;

Em paz vejo o céu e o mar!

O meu coração goza calma

Que não poderá findar.

Firme, ao teu lado, ó Mestre,

Dono da terra e céu,

Eu hei de chegar, bem seguro,

Ao porto, destino meu.

(Hino nº 254 - Hinário Novo Cântico)

Rev. Marlon de Oliveira

Série: Teologia e Vida (4)

“Um Morreu por Todos”: Jesus, O Mediador entre Deus e os homens   “A teologia como estudo da Palavra, não pode ser algo simplesmente teórico...