Série: Teologia e Vida (4)

“Um Morreu por Todos”: Jesus, O Mediador entre Deus e os homens 


“A teologia como estudo da Palavra, não pode ser algo simplesmente teórico, menos ainda especulativo e abstrato; antes tem uma relação direta com a vida daqueles que a estudam; ela é, portanto, uma ciência teórica e prática.” (Hermisten Maia).


Teologia e vida estão inerente e indissoluvelmente unidas. Não há teologia, biblicamente falando, sem conexão com a piedade (obediência), assim como não há vida cristã, comunhão com Deus, sem um coração alicerçado na Escritura e no conhecimento da verdade (teologia). Esta série de mensagens tem o propósito de fomentar esta união vital entre vida e teologia, aplicando alguns pontos centrais doutrinários à nossa fé prática.

Hoje trazemos à lume uma das questões mais lindas de toda Escritura, e por que não dizer, o coração de toda revelação: Cristo Jesus, o Mediador da Nova Aliança. Pensemos um ponto sobre isso.

Em primeiro lugar, lembremos que Deus fez uma aliança com nossos primeiros pais, tendo Adão como o mediador desta primeira aliança (Gn 1-2). Aliança que foi quebrada com o pecado de Adão (Gn 3; Rm 3.23; 6.23). Devido à queda, o pacto de vida foi quebrado, trazendo a maldição sobre toda a humanidade, sobre toda criação (Gn 3). Como o foco aqui não é tratar sobre a queda e seus desdobramentos, não me estenderei sobre o assunto. O ponto é mostrar que, apesar do pecado, da queda e da declaração de condenação e morte, Deus, unilateralmente e com toda a sua soberania e graça, estabelece uma nova aliança. A morte não foi vitoriosa com a queda de Adão. Há promessas de vida. A graça divina prevaleceu.

Em Gn 3.15 (NVI) lemos: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” Este texto é central para compreendermos a instituição de uma aliança renovada e a introdução de um novo mediador. Há promessas de condenação à serpente e ao seu império e promessas de vida com a vitória do descendente de Eva. O descendente citado é fundamental para a promulgação de uma nova aliança. Um filho prometido de Eva é quem esmagará a cabeça da serpente e trará vida ao povo amado do Senhor. Ele é o mediador da nova aliança. Este novo elemento introduzido na narrativa de Gênesis por Moisés é a chave que amarra toda a revelação bíblica: o reino de Deus, o pacto (aliança de vida) e o Mediador (o Messias prometido).

Que fique claro, todo o Antigo Testamento apontará para o Messias, um filho que nascerá entre o povo de Israel, que trará vida, comunhão e vitória sobre a morte: Is 9.7 / Mt 1.1,6-17; Mq 5.2 / Mt 2.1; Os 11.1 / Mt 2.15; Is 7.14; Lc 24.44. Jesus Cristo é o mediador desta nova aliança: Hb 9.15. Ele é o filho (descendente) de Eva, o prometido em Gn 3.15. Assim, toda a aliança do Rei está pautada neste mediador. É apenas por causa dele que hoje podemos receber vida e ter comunhão com Deus.

O pecado e queda de Adão trouxe a morte sobre toda a humanidade (Rm 5.12-21). Esta morte está sobre todos, inclusive sobre aqueles que Deus escolheu para serem seus filhos, a quem ele, soberanamente, resolveu dar vida (Ef 1.3-6). Cristo é o escolhido de Deus Pai para expiar (purificar o erro, resgatar da morte), fazendo a propiciação (satisfação legal diante de Deus) pelos nossos pecados: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.” (1Jo 2.2 NVI). Cristo morreu na cruz por aqueles que Deus escolheu entre todo o mundo. Ele, o Messias, é o mediador entre Deus e os homens, por meio de quem, a Igreja é resgatada e vivificada do seu pecado. Cristo Jesus é o nosso redentor (resgatador): “Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus.” (Ef 1.7 NVI).

Veja Hb 9.13-15 (NVI): “Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança.” 

Cristo é o único mediador: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo.” (1Tm 2.5,6 NVI; Cf. Hb 8.6).

Hb 7.24-26 (NVI) nos diz: “mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus.” (Veja também: Hb 9.12,24).

Assim, a expiação de Cristo nos traz a comunhão com o nosso Criador e Salvador: “Onde essas coisas foram perdoadas, não há mais necessidade de sacrifício pelo pecado.” (Hb 10.18 NVI). E, “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados.” (1Pe 2.24 NVI). A salvação é somente pela graça, através do sacrifício meritório e substitutivo de Cristo Jesus. (Ef 2.1-9). Este sacrifício foi realizado uma só vez, de modo perfeito, não sendo necessário a sua repetição: “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo,  assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” (Hb 9.27,28 NVI).

Esta é uma doutrina maravilhosa! Graças a Deus por isso, pela salvação eterna que temos em Cristo Jesus. Estas verdades não podem ficar apenas no campo teórico, temos que conectá-las à nossa percepção da vida, à nossa ética, ao nosso testemunho. Assim, algumas implicações nos ajudam nesta tarefa:

a) Todos os nossos pecados já foram perdoados em Cristo Jesus: Sl 32; 51; 1Jo 2.6-10. Nada mais nos condena diante do Senhor Deus: Rm 8.1. Somos mais que vencedores por causa da vitória do nosso Redentor: Rm 8.36ss. Isso nos traz paz! (Rm 5.1).

b) Cristo, como nosso mediador, continua fazendo intercessão por nós: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno.” (Jo 17.15 NVI). Somos dependentes dele, e sempre seremos. A salvação não se dá por nós mesmos. Não temos mérito. Não somos perfeitos e nem justos. Somos justificados nele, por causa dele. Não somos autossuficientes. Se não fosse a mediação e intercessão de Cristo por nós estaríamos todos perdidos, segundo a justiça santa de Deus. Toda glória a Cristo!

c) A redenção e reconciliação que temos em Cristo nos responsabilizam diante dele. Somos agentes desta reconciliação hoje: “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado a Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.” (2Co 5.14-21 NVI).

Concluímos: 

“Dessa maneira, Jesus Cristo foi constituído o único Mediador, por cuja intercessão o Pai se torna propício e acessível a nós. Se bem que admitimos o fato de que os santos fazem as suas intercessões, pelas quais encomendam mutuamente a Deus a saúde uns dos outros, como Paulo menciona. Todavia, solicitamos que tais intercessões sejam feitas de maneira que sempre dependam da singular e única intercessão de Jesus Cristo. Assim, as nossas intercessões devem ser como que miniaturas da de Cristo. Porque, como procedem do puro amor pelo qual somos unidos como membros, também se reportam à unidade da nossa Cabeça. Pois, visto que são feitos em nome de Cristo, com isso não testificam que ninguém pode ser socorrido e ajudado por orações de outros, a não ser que Jesus Cristo seja o Intercessor? E assim como Jesus Cristo, por Sua intercessão, não impede que nos ajudemos na igreja pelas orações feitas uns pelos outros, assim também é necessário que isto fique resolvido – que todas as intercessões da igreja devem ser dirigidas e jungidas unicamente à de Cristo.” (João Calvino).

A teologia impulsiona a prática. As verdades de Deus nos motivam ao testemunho e amor. A piedade revela um coração crente e grato pela maravilhosa revelação de Deus em Cristo. Que a mensagem do Mediador Cristo Jesus nos conduza neste rumo.

 O grupo Vineyard Brasil gravou uma canção linda que exalta esta verdade bíblica da redenção que temos em Cristo. A atitude do nosso coração em resposta à isso proposta neste cântico é quebrantamento.

 

Quebrantado

Eu olho para a cruz

E para a cruz eu vou

Do seu sofrer participar

Da sua obra vou cantar

 

Meu salvador

Na cruz mostrou

O amor do pai

O justo Deus

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

 

Imerecida vida, de graça recebi

Por sua cruz da morte me livrou

Trouxe-me a vida, eu estava condenado

Mas agora pela cruz eu fui reconciliado

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

 

Impressionante é o seu amor

Me redimiu e me mostrou

O quanto é fiel

Impressionante é o seu amor

Me redimiu e me mostrou

O quanto é fiel

 

Pela cruz me chamou

Gentilmente me atraiu

E eu, sem palavras, me aproximo

Quebrantado por seu amor

Rev. Marlon de Oliveira


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